quinta-feira, 24 de maio de 2012

Tinha que escrever algo agora,
pois só no calor do instante as palavras brotam nos meus dedos, 
quentinhas, quentinhas.
De um calor tão grande, as palavras e sua presença, 
que apenas me despeço de ti porque a vida me obriga.
Mas das palavras não me despeço nunca.
Elas, apenas elas, me ditam o que devo te dizer.
Aloïse Corbaz

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Insanidade

Para ti não escreverei nem uma letra.
Até mesmo as palavras se negam a te descrever.


É de tristeza e incompreensão
a cara do sentimento que reina em mim
desde que reviraste nosso destino com tanta estupidez,
e com a mais perfeita insensatez,
nos condenaste a estar sozinhos agora.
Aloïse Corbaz

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

saudade fortuita

Preciso escrever para não ver minha garganta dilacerar-se.
Sofro da saudade que sinto,
só que te vi há duas horas amargas.


Nenhum lugar do mundo me deixaria feliz
apenas se estivesse contigo,
pois é o único lugar que realmente sei que deveria estar.


Pele de casca de ovo, 
teu olhar me assusta e me atrai.
Seu carinho brusco e sensual
me dizem que ainda é cedo.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

da escrita

não quero escrever o que me desencanta
nem o que colore de branco meus cabelos.

escreverei, então, o que me atormenta o sono
e que me faz querer dormir cedo só pra sonhar.

registrarei hoje apenas o que me faz sair do cotidiano
o que me é novidade
mas que aparece  através de sensações tão antigas...

escreverei sobre o encanto que sinto por ti,
só que me faltam palavras
e sobra vergonha
deixarei para depois, então.

deixarei então para depois.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

bordado

Com uma única bala na agulha
bordei minhas lágrimas com encanto.
A bala era de açúcar
e, de sal, meu pranto.
(Luciana de Queiroz)


sábado, 16 de julho de 2011

FOME

Nada me diz nada hoje
preciso de você perto
me dizendo que não podes,
insistindo em ir.

É de ausência e fome minha insistência.
Só sua presença me diria que vivo.
E insisto...


Não sei quanto de mim ainda persiste.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Mar-ritmo

Em tuas águas, que nunca me saciam a sede,
naufrago e velejo.
Descubro à cada dia de navegação
que a minha bússola quebrou-se
e ando à deriva 
neste Mar que é en-canto e perdição de sereia.


Como Ulisses, me amarro ao mastro, 
ponho ceras em meus ouvidos 
para não ouvir o teu canto.
Contudo, minhas forças já não são minhas
e já não resisto mais.


Quando a maré está pra peixe: velejo,
quando é de tempestade o horizonte: naufrago.


De todo jeito é sempre Mar.

(Luciana de Queiroz)

domingo, 22 de maio de 2011

poetas

Ah! Se eu estivesse conhecido poetas...
Certamente seria mulher de Drummond,
sua elegância me excitaria felinamente
a ponto de com ele querer tomar café de manhãzinha.


Vinícius seria minha perdição,
amante de botequim e motéis.
Meu Baco de fins de semana.


Castro Alves meu amigo conselheiro
para quando tivesse problemas 
com os dois primeiros.


Já meu terapeuta seria Caio F. Abreu
Me entende e me ouve por inteira.



quinta-feira, 14 de abril de 2011

NOSTALGIA

Distância: morada de valentes
Habitat dos que se dizem grandes
Mas têm um nó na garganta
E um laço na goela.
( Edward Hopper)

terça-feira, 15 de março de 2011

NÃO!
POR QUE NÃO DESISTIR DO  QUE TE AMEDRONTA
E NÃO DEIXAR AO RELENTO O QUE TE PRODUZ PESADELOS?

PERPETUIDADE NÃO É CONDIÇÃO HUMANA
MAS A PAZ É

POR QUE NÃO ABOLIR DE TI O QUE TE É INFERIOR
E TE FAZ CRIAR CALOS NOS PÉS
E CALOS NOS OUVIDOS
MAS NUNCA
NUNCA
CALOS NOS LÁBIOS?
(Luciana de Queiroz)